Uma aventura no pacífico panamenho - relato completo

Postado em 15/03/2017 por | 5416 visualizações

Na segunda matéria produzida e publicada no site pelo staff do Fishclub, temos o prazer de trazer aos amigos pescadores a mais sensacional aventura de pesca de nossas vidas até o momento: uma pescaria incrível feita com caiaques no Oceano Pacífico, mais precisamente na Wild Coast (Costa Selvagem) do Panamá. Um lugar absolutamente lindo, extremamente piscoso e que todos os amantes da pesca que tiverem a oportunidade devem visitar um dia. Embarque nessa com a gente!

Começamos na pesca com caiaque há quase 10 anos e de lá pra cá passamos por muita coisa. Vivenciamos muitas experiências incríveis e acompanhamos o crescimento da modalidade no Brasil, contribuindo com ele de diversas formas, mas de maneira especial através das matérias sobre kayak fishing que temos escrito para diferentes revistas de pesca nos últimos anos. Hoje colaboramos com a revista Pesca & Companhia, sendo que esta viagem ao Panamá gerou uma matéria que foi publicada recentemente, na edição nº 265 (janeiro/2017). Devido às limitações óbvias de espaço em uma revista impressa, uma boa parte do material que produzimos acabou não sendo utilizado, de modo que decidimos fazer este relato mais "completão", pra mostrar o que realmente foi essa aventura que pra nós foi um divisor de águas e um abrir de olhos.

COMO AS COISAS ACONTECERAM

De algum tempo pra cá um dos nossos focos tem sido não apenas promover a pesca com caiaque no Brasil, mas romper um pouco com a visão que trata essa modalidade apenas como um "quebra-galho", algo barato e prático, pra fazer pescarias simples e muitas vezes de resultado limitado. No final de 2016 tivemos a oportunidade de fazer esta viagem, que serviria perfeitamente a esse intuito: 6 dias de caiaque no Oceano Pacífico, testando os limites de nossas habilidades e aprendendo na prática como é o lado mais bruto do kayak fishing.

A oportunidade surgiu de maneira inusitada: aproximando-se o casório do Baca e estando ele às voltas com os preparativos, pediu para que eu (Sesquim) o ajudasse a olhar alguma opção de passeio com pescaria próximo à Cidade do Panamá, local onde passaria sua lua de mel. Lembrando que o amigo Renato Banzai, do Fishing Stories, já havia pescado de caiaque por aquelas bandas entrei em contato com ele, que prontamente passou o telefone de um brasileiro que morava e trabalhava como guia turístico e de pesca há vários anos no Panamá, um cara chamado Roque. Acontece que o tal Roque não apenas era um baita guia como também uma figuraça e um dos introdutores da pesca com caiaque no Panamá. Durante um passeio em plena lua de mel Baca pôde conhecê-lo pessoalmente e, contando um pouco da sua história e do nosso trabalho com a pesca esportiva aqui no Brasil, em pouco tempo surgiu o convite para conhecermos a localidade de Tembladera e a operação da Panama Kayak Adventure, onde Roque jurava que faríamos a pescaria mais louca de nossas vidas. E Roque estava certo.

Recepção no aeroporto da Cidade do Panamá.

Abastecendo a panga que nos levaria a Tembladera.

Depois de 8 horas de avião e mais 6 horas de carro, chegamos à praia de Cambutal onde conhecemos Pascal Artieda, o francês proprietário do Tembladera Lodge e da Panama Kayak Adventure. Organizamos nossas bagagens e suprimentos num dos barcos da operação (uma grande panga motorizada) e partimos para mais 1 hora e meia de viagem por mar, pois nosso destino era tão remoto que não poderia ser acessado por terra, já que não existem estradas na região. Já no lodge, escolhemos nossa acomodação numa das rústicas porém confortáveis cabanas de madeira em frente à praia, jantamos, preparamos o material para o dia seguinte e tentamos dormir um pouco, fazendo o possível para não criar expectativa demais para o que viria à seguir.

Mas o que aconteceu logo no começo do dia seguinte superou qualquer expectativa maluca que tivéssemos. Mal descemos os caiaques no primeiro ponto de pesca, nos afastamos um pouquinho da panga e já éramos rebocados por atuns amarelos. Desde o segundo arremesso já tínhamos peixes em nossos poppers, correndo e tomando linha como só um atum sabe fazer. Dedicamos boa parte do primeiro dia aos atuns e bonitos e ao final da tarde estávamos de queixo caído. Parecia que havíamos descoberto o que era pescaria de mar pra valer, como se fosse a primeira vez que fizéssemos algo do tipo.

Atum, no popper, de caiaque... um sonho realizado.

Bonito: o pequeno valente e intrometido.

O TEMPO FECHA MAS OS PEIXES NÃO PARAM

O segundo dia de pesca começou bem diferente do primeiro. Uma chuva que vinha forte e depois parava por algumas horas se instalou na região e as coisas permaneceram assim até o fim de nossa estadia. Vale ressaltar que nós sabíamos que este era o período chuvoso e que pescaríamos no mês mais molhado do ano por aquelas bandas, só não imaginávamos que seria tão molhado assim (o Panamá possui uma estação seca e uma estação chuvosa muito bem definidas, diferente do que acontece em boa parte do Brasil).

Entretanto, qualquer dúvida que possa ter passado por nossas cabeças em relação aos peixes diminuírem sua atividade foi rapidamente dissipada. Encaramos a chuva de frente porque essa era uma oportunidade única pra nós e felizmente logo percebemos que os peixes continuavam à mil.

Horizonte pra lá de carregado.

E tome água!

Sierra: parente próxima da nossa Sororoca.

O primeiro rooster a gente nunca esquece...

Quando a chuva para, a natureza se revela.

XARÉUS PARA TODOS OS GOSTOS

Em termos de força bruta poucos peixes de água salgada ou doce se equiparam aos xaréus. Esses monstrinhos dos mares são sempre uma grande fonte de diversão e no Panamá sua abundância é simplesmente surpreendente. Tanto em termos de quantidade (existem aos milhares) quanto em termos de variedade. Nessa viagem fisgamos dezenas de xaréus de nada menos que cinco espécies diferentes, algumas delas exclusivas do Oceano Pacífico. Haja braço!

O belíssimo xaréu azul do pacífico.

Grande xaréu olhudo capturado ao lado de uma ilha deserta.

Soltando mais um monstro.

NA HORA DO BREAK TAMBÉM SE PESCA

A região de Tembladera e adjacências é tão piscosa que praticamente qualquer lugar pode ser um bom ponto de pesca. Tivemos várias provas disso durante os dias que passamos por lá, tanto que quando aportávamos em alguma enseada abrigada para almoçar, aproveitávamos pra pescar um pouquinho de cima das pedras ou da própria areia e sempre tínhamos boas ações.

Uma das várias cachoeiras em uma praia de seixos da região.

Briga boa com pé na pedra!

Ventana: uma janela na pedra, onde mar e rio se encontram.

Nas praias e costões próximos aos pequenos riachos que chegam ao mar na estação chuvosa, havia ainda a chance de topar com algum robalo negro do pacífico (Centropomus nigrescens). E foi o que aconteceu, graças à nossa fomiagem num dia de tempestade, quando ficamos impossibilitados de sair com o barco e os caiaques. Não aguentávamos mais ficar no lodge, sem pescar, até que próximo da hora do almoço uma pequena janela de tempo razoavelmente firme se abriu, por uns 50 minutos. Decidimos fazer alguns arremessos de cima das pedras que ficavam a poucas centenas de metros de onde estávamos hospedados. Após duas boas ações de peixes que escaparam logo no início da briga, um belo robalão negro de 8kg veio para abrilhantar mais ainda nossa aventura.

O dia que o mundo desabou...

... e que o robalo negro do pacífico apareceu!

NA VOLTA PRA ÁGUA, VARIEDADE E ADRENALINA

Na manhã seguinte o tempo melhorou um pouco e pudemos voltar a pescar com os caiaques. O que experimentamos nesses dias de "baixa temporada" foi uma boa amostra do que o Panamá tem para oferecer: inúmeras fisgadas, brigas sensacionais e uma variedade de peixes esportivos de fazer inveja a qualquer outro destino de pesca no mundo. No fim das contas, capturamos um total de 22 espécies diferentes usando apenas iscas artificiais, da superfície ao fundo. É impossível destacar apenas uma espécie, então faremos menção honrosa ao Roosterfish (por seus saltos acrobáticos e ataques impressionantes), ao Xaréu Azul (um dos peixes mais bonitos e fotogênicos que já tivemos a oportunidade de pescar) e aos Olhos de Boi e Pitangolas (por sua persistência em tentar nos levar pro fundo do mar com suas longas tomadas de linha).

Roosterfish: pensa num peixe ensandecido!

Os rebocadores das profundezas também apareceram.

Grandes agulhões são muito abundantes na área.

Os "pargos" são diversão garantida, da superfície ao fundo.

Locais rasos são "forrados" de pequenos peixes de pedra.

O LUGAR E AS PESSOAS (TÃO BONS QUANTO OS PEIXES)

Nem só de peixe é feita uma boa pescaria! Todos nós sabemos que muitos outros fatores que cercam essa nossa paixão fazem a diferença na experiência que temos e nas memórias que guardamos. No caso dessa viagem, além dos belos e fortes exemplares capturados, das brigas memoráveis e dos ataques incríveis, não tem como não destacar a companhia de duas figuras incríveis como Roque e Pascal. Os dois se desdobraram para que tivéssemos de fato uma estadia das mais agradáveis e uma pescaria pra lá de fantástica. Roque pescou conosco várias vezes, fazendo diversas capturas e brincando com a gente a todo instante. Pascal não pescou tanto, mas quando foi pra água mostrou que é verdadeiramente um mestre nessa arte e tem muito a nos ensinar. Fora que o francês é um cozinheiro de mão cheia... de pães e pizzas feitos artesanalmente na hora a ceviches, sashimis e assados deliciosos com peixes frescos capturados no dia, tudo que o cara faz na cozinha parece ficar saboroso!

Vista superior da praia onde fica o Tembladera Lodge.

Algumas delícias da culinária franco-panamenha.

Roque fazendo as honras da casa.

Pascal com um lindo xaréu de dois dígitos.

EQUIPAMENTOS

Muita gente se interessa em saber que equipamentos foram usados numa pescaria, até pra se preparar caso faça algo parecido um dia. Nessa viagem, apesar da Panama Kayak Adventure ter todos os equipamentos para fornecer aos seus clientes, nós optamos por levar pelo menos dois conjuntos completos de nosso próprio gosto, mais uma série de iscas variadas. Nossa seleção de varas e molinetes partiu de um pressuposto muito simples e realista: "Nós somos pescadores de tucunaré e robalo, não estamos acostumados com material e com peixes tão parrudos, portanto se não levarmos uns conjuntinhos mais leves vamos voltar sem braço pro Brasil". Foi pensando nisso que montamos um conjunto "leve" (25lbs) e um "médio" (40lbs), sabendo que caso precisássemos de material mais reforçado poderíamos usar o da operação, composto por varas e molinetes Shimano de alto padrão. No fim das contas, o conjunto leve foi usado pouquíssimas vezes, quando tentávamos pescar o robalo do pacífico a partir das praias. O que usamos direto a viagem inteira e garantiu uma semana sem tendinites foi o conjunto médio que montamos assim:

● Vara MS Hunter Fish Big Game 7'2" 15-40lbs
● Molinete Okuma Azores Z-55S
● Linha Daiwa J-Braid x8 50 lbs
● Fluorcarbono Seaguar Blue Label 80lbs
● Snaps Glico Pumplock e Engate Rápido de 80 a 120lbs

Dentre as iscas que usamos com maior sucesso destacaram-se:

● Daiwa Saltiga Pencil 1180f
● Yo-Zuri Mag Darter 125
● OCL Rock Popper 140
● OCL Splash Pencil 130
● Strike Pro Wa-Hoo Popper 130
● MS Inna Pro Tuned 140
● Jigs KSF Trickzão 50gr e 70gr
● Jig KSF Exterminator 100gr
● Jig KSF Simétrico 100gr (Protótipo ainda sem nome)

As peças de vestuário, em especial as camisas e as excelentes babuches que usamos, são da BRK Fishing.

AGRADECIMENTOS E UM CONVITE

Não podemos deixar de usar este espaço para mostrar nossa gratidão àqueles que tornaram essa aventura possível ou colaboraram de alguma forma para seu sucesso. Aos amigos Rogério Caramelli, Renato Banzai, Gilberto Sipioni, Andre Vergara e Mario Gonda agradecemos pelos conselhos, dicas e auxílio com os equipamentos de pesca. Aos novos amigos Roque Freitas e Pascal Artieda agradecemos por nos receber tão bem, por pescar e rir um bocado conosco e por viabilizar a realização deste sonho. E agradecemos ainda aos parceiros que colaboraram de maneira decisiva para o sucesso da pescaria em si: OCL Lures, KSF Jigs, BRK Fishing e Glico Snaps.

Por fim, gostaríamos de dizer que apesar de uma viagem de pesca como essa parecer algo grandioso, caro e de difícil realização, ela na verdade é mais acessível do que muitos podem imaginar. Aproveitar esse paraíso internacional quase intocado e cheio de grandes peixes é relativamente fácil em termos de logística, e sai mais barato do que uma pescaria em um barco hotel decente no Amazonas por exemplo. Na verdade o custo-benefício dessa aventura é tão bom que já estamos planejando um retorno ao local, dessa vez no melhor momento da temporada, durante os primeiros meses de 2018. E deixamos aqui um convite: quem tiver interesse em se juntar ao grupo que estamos formando para essa jornada épica ou quiser saber mais detalhes, sinta-se à vontade para nos questionar através do e-mail [email protected] ou nos procurar pessoalmente. Vai ser TOP!

Alguns momentos dessa incrível pescaria.

___________________________________

O Fishclub é um projeto colaborativo por natureza. Portanto, se você tem algum conteúdo interessante e inédito sobre pesca e gostaria de vê-lo transformado numa matéria aqui na nossa seção Fishnews, é só enviar um email para [email protected] explicando sua ideia e mostrando um pouco do seu material, que nossa equipe fará uma avaliação do mesmo e retornará o seu contato. Caso suas imagens, texto e demais informações atendam os nossos padrões de qualidade e sejam consideradas de interesse para nossa comunidade, o seu conteúdo pode virar a próxima matéria publicada aqui no Fishclub!

___________________________________

Baiano
se é loko !!!! muitopeixe moço ! inscrivelBaca Baca! excelente materia André Sesquim ! QUERO IR ANO QUEVEM COM VCS!!
  • 20/03/2017

  • Fisgar
André Sesquim
Grande Baiano essa é uma aventura pra não esquecer cara, lugar sensacional mesmo e os peixes nem se fala... vou te colocar na lista dos interessados aqui e assim que começarmos a fechar as coisas pra essa ida do ano que vem te passo mais detalhes. Abç!
  • 20/03/2017

  • Fisgar
Baca
A equipe tá ficando animal... Essa pescaria de 2018 promete! TMJ Baiano
  • 21/03/2017

  • Fisgar
Mario Gonda
Pqp!!!!! Sensacional!!!!!
  • 21/03/2017

  • Fisgar
Paulo Pita
Nooossaaa maravilhoso essa aventura. Parabéns.
  • 22/03/2017

  • Fisgar
Decio.Neto
Que matéria Show de bola... completona... da muita vontade de embarcar em uma aventura dessas... parabéns André e Fabio pela linda empreitada! grande abraço e boas pescarias!
  • 22/03/2017

  • Fisgar
Rogerinho
irado demais bela materia
  • 22/03/2017

  • Fisgar
Ricardo Sanches
Show de pescaria meus caros! Parabéns.
  • 22/03/2017

  • Fisgar
André Sesquim
Valeu galera! Não vejo a hora de voltar a esse paraíso...
  • 22/03/2017

  • Fisgar
Felipe Sesquim
Topppp a pescaria!!!
  • 22/03/2017

  • Fisgar
Rivaldo Dias
Pessoal, tenho interesse nessa próxima ida de vocês pra lá. Enviei um email. Valeu!
  • 24/03/2017

  • Fisgar
ideval
fantástico
  • 24/03/2017

  • Fisgar
adalberto lopes
Encantador.Abraço galera e parabéns .
  • 27/03/2017

  • Fisgar
Rocha FSB
Sensacional pescaria! Meu sonho é fazer uma viagem de pesca dessas, prum lugar onde tenha peixe pra valer. Porque aqui a coisa anda meio tensa kkkkk parabéns, mandaram muito!
  • 28/03/2017

  • Fisgar
Rodrigo Bertozzo
Que maravilha de lugar!!! Que pescaria!!! Parabéns pela pescaria e pela matéria !!!!! Ainda faço uma dessas.....rs.
  • 28/03/2017

  • Fisgar
André Sesquim
Rivaldo e Rodrigo, respondi os emails de vocês. Juntem-se aos bons! rsrsrs
  • 30/03/2017

  • Fisgar
Rodrigo Bertozzo
Caracaaaaaaa!!! Já tá coçando tudo!!!! kkkkkkkk...... agora vem a segunda fase ( e talvez a mais importante ) : conseguir o alvará de liberação em casa!!! kkkkkkkkkk.....
  • 30/03/2017

  • Fisgar
André Sesquim
kkkkk boa sorte nessa etapa aí Rodrigo, tomara que consiga a liberação do órgão superior! auhauhauha
  • 31/03/2017

  • Fisgar
Mario Gonda
Sem palavras!!!!!!!
  • 03/04/2017

  • Fisgar
Fernando
Parabéns pela matéria! Lugar sensacional e tudo muito bem esclarecido.
  • 12/05/2017

  • Fisgar
Código de Verificação
Mudar Imagem
Digite aqui o código de verificação