Rio Arraias - aventura incrível no Xingú

Postado em 24/11/2016 por | 3457 visualizações

O Fishclub tem o prazer de mais uma vez abrir espaço para um material muito bacana de um seus membros. Desta vez, quem nos traz o relato de uma belíssima pescaria de prospecção num dos lugares mais selvagens do Brasil é o nosso amigo Christian Garcia. Junto com mais sete pescadores (seis homens e uma mulher) ele desbravou trechos isolados do Rio Arraias, no norte do Mato Grosso, região do Xingú. O que ele encontrou por lá você vê logo abaixo, num resumo dessa grande expedição.

Não é fácil sintetizar em texto e imagens aquilo que vivemos e sentimos numa grande pescaria, mas vou contar aqui um pouco de minha aventura junto a um grupo de amigos pelo Rio Arraias, onde pescamos junto aos índios Kayabis, no interior de sua reserva. O Arraias é um afluente do Rio Xingú e oferece inúmeras opções de pesca, mas como o vício pelas artificiais é muito grande, focamos nossa busca majoritariamente nos tucunarés (Cichla mirianae) e nos trairões (Hoplias aimara). O resultado não poderia ter sido melhor, como vocês poderão ver a seguir.

Esta viagem surgiu de um convite do amigo Márcio Boechat, que na época estava estruturando sua operação de pesca exclusiva na região, em parceria com os indígenas, e queria montar um grupo de pescadores com disposição para prospectar os muitos pontos de pesca que a região oferece. Formado o grupo, nossa expectativa era das melhores possíveis, até pelas informações que tínhamos. Alguns anos antes, uma primeira expedição de pescadores ao local havia feito boas pescarias, apesar de muitas dificuldades logísticas que impediram que eles explorassem toda a área. Caberia a nós continuar de onde pararam e mostrar todo o potencial do Arraias.

Amanhecer no Rio Arraias.

VIAGEM E INFRAESTRUTURA

A reserva Kayabi é um daqueles poucos lugares que sobraram em nosso país onde ainda não existe nenhuma pressão de pesca, até porque apenas os índios pescam por lá e normalmente usando técnicas primitivas como o arco e flecha. O ponto exato dessa nossa aventura fica localizado a 320 km do Município de Sinop, no estado do Mato Grosso, onde nos reunimos e de onde partimos em um micro ônibus. Andamos na maioria do tempo à noite, por estradas de chão no interior da selva amazônica e depois de 10 horas de viagem chegamos ao porto e daí embarcamos em direção ao acampamento que ficava a mais algum tempo de barco. No meu caso enfrentei um total de quase 26 horas de viagem, mas ao me deparar mesmo à noite com as possibilidades de pesca no rio, o cansaço se foi e a adrenalina já tomou conta. Chegamos as duas da manhã e um pouco antes do sol raiar todos já estavam prontos para embarcar e animados em partir para a pescaria.

Cozinha/despensa montada na aldeia para nos atender.

O grupo ficou acampado sob uma grande oca, onde pudemos contar com uma ótima estrutura organizada pela Boechat Pesca Esportiva junto aos índios, que nos atendeu perfeitamente com barracas amplas e individuais, além de banheiro, gerador de energia, cozinheiro, guias, bons barcos e até mesmo cinegrafista e fotógrafo. Gostaria de ressaltar que não é permitido o abate de peixes no local (somente piaus e piranhas para servirem de isca na pesca de peixes de couro). Toda a alimentação foi trazida de fora, assim como todo lixo foi levado embora.

TRAIRÕES, MUITOS TRAIRÕES...

A quantidade de peixes, os muitos ataques cinematográficos e a abundância de pontos virgens na área em que estávamos nos impressionou tanto, que ao final do primeiro dia de pesca chegamos ao acampamento meio atordoados. Durante o período que passamos nas terras dos Kayabis pescamos 95% do tempo nas lagoas que ficam as margens do Rio Arraias. O que constatamos é que a maioria delas é simplesmente infestada de tucunarés e trairões. Pelo menos 2/3 desses locais certamente nunca haviam visto qualquer isca artificial, já que nossa turma estava literalmente desbravando e testando vários pontos pela primeira vez. Fomos os primeiros "homens brancos" a ter o privilégio de pescar em muitas dessas lagoas e o que vivemos foi realmente fantástico: um ataque atrás do outro, num ritmo alucinante, literalmente selvagem (na melhor definição do termo).

Explorando as lagoas marginais.

Os trairões com sua beleza meio pré-histórica, seus shows acrobáticos e ataques nervosos deram um show, de forma que apesar de não serem nosso "alvo" principal, acabaram por conquistar o coração de todos. A cor da água muitas vezes permitia sua pescaria no visual, o que tornava a experiência ainda mais mágica. Cada pescador fisgou dezenas desses monstrinhos por dia, era algo quase inacreditável, acima da expectativa geral, que já era alta. Em alguns locais quando um tucunaré de menor porte entrava primeiro na isca nós tínhamos que retirá-lo o mais rapidamente possível da água, ou era abatido vorazmente por uma das aimaras sempre famintas.

Toda a turma se divertiu muito com os trairões.

Muitas iscas não sobreviveram aos violentos ataques.

TUCUNAS E RECORDES

Trairões e seu show à parte, o grande rei da nossa pescaria, o mais desejado por todos, era mesmo o tucunaré. E eles não decepcionaram. Aliás pelo contrário, mais uma vez nos surpreendemos. Durante nossa aventura as capturas foram inúmeras, dublês e triblês eram constantes. E o ponto alto não foi apenas a quantidade desses peixes, mas o porte dos espécimes capturados.

No decorrer dos dias foram sucessivamente superados os recordes mundiais da espécie Cichla mirianae (que chamaremos aqui apenas de "Tucunaré do Xingú", por ainda haver certo debate sobre a caracterização das espécies no meio científico). No fim das contas o novo recorde homologado na IGFA para a espécie pertence agora ao nosso amigo Rodrigo Sgambatti, um belíssimo exemplar capturado durante essa expedição. No geral, todos os pescadores fizeram capturas excepcionais, usando hélices, sticks e zaras.

Sgambatti com o atual recorde mundial da espécie.

Este que vos escreve com mais um lindo exemplar.

Mais alguns tucunas do grupo.

Pirararas de bom porte também habitam o rio.

Uma pequena amostra da voracidade dos peixes do Arraias.

MISSÃO CUMPRIDA E UMA AULA DE CIVILIDADE

Ao final de nossa viagem podemos dizer que não apenas nos divertimos como nunca, mas conseguimos  também cumprir com o objetivo de mapear essa inexplorada área de pesca. Usamos GPS para encontrar as lagoas escondidas e marcar os melhores pontos do rio e comprovamos o enorme potencial da região para a pesca esportiva sustentável. E como se fosse um bônus a toda essa aventura, na tarde que tiramos para visitar a aldeia de Sobradinho tivemos uma aula do que é realmente ser "civilizado". Fomos muito bem recebidos e tratados com educação e carinho pelos Kayabis. Apesar de não viverem isolados, diferentemente de várias outras tribos Brasil à fora eles ainda resistem aos aspectos mais negativos da influência do homem branco. De maneira geral não falam palavrões, não bebem e apesar de terem que se adaptar ao mundo moderno que cresce à sua volta, ainda conseguem se ater à boa parte de sua cultura, língua e origens.

Cartaz afixado na escola da aldeia - simples, porém bonito.

Em resumo, o que posso dizer do Rio Arraias e seu entorno é que o local é extremamente piscoso, abundante de vida e habitado por pessoas muito bacanas. Recomendo sem dúvidas a operação da Boechat Pesca, agora estruturada e apta a atender outros pescadores (vale cada segundo e centavo investido). Certamente este é um dos melhores lugares do país para quem busca aventura, contato com uma cultura diferente, natureza totalmente intocada e peixes, muitos peixes na ponta da linha.

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Pesqueiro 67
Isso é pescaria em alto nível!!
  • 28/11/2016

  • Fisgar
Edmar Alves
Sensacional! Deva ter sido uma experiência fantástica! Parabéns a toda equipe envolvida!
  • 28/11/2016

  • Fisgar
Priscila
Esse é o tipo de pesca de trairão que eu quero poder fazer um dia. Já vi muito a pesca no Suiá Muçu com isca natural e não me chamou a atenção. Já essa pescaria aí com artificiais em local pouco explorado é show!!! Parabéns pela matéria!
  • 28/11/2016

  • Fisgar
Rocha FSB
Muito bom, lindos tucunas e trairões!!
  • 29/11/2016

  • Fisgar
Paulo Gouveia
Fica a vontade de conhecer...
  • 29/11/2016

  • Fisgar
Armando Bezerra
Rapaz já olhei essas imagens umas 10 vezes. Tô precisando fazer uma pescaria dessas! rs
  • 29/11/2016

  • Fisgar
Christian Garcia
Obrigado pessoal, quem tiver interesse em conhecer o local o telefone de contato da operação está no final do vídeo.
Se puderem não deixem de ir, o lugar e fantástico.
  • 30/11/2016

  • Fisgar
Jonas Pescador
Cara assisti mais alguns vídeos nesse canal de Youtube do Boechat e fiquei ainda mais impressionado... é peixe demaissss
  • 30/11/2016

  • Fisgar
Eduardo
Belo lugar e bela pescaria.
  • 30/11/2016

  • Fisgar
André Fantin
Show!! Belos peixes e belas imagens!!
  • 30/11/2016

  • Fisgar
Christian Garcia
Jonas no you tube não estão nem 2-3% do que foi lá, somente em um barco, imagina em quatro? Todas as imagens de lá são somente do barco do Márcio, que era o apoio e onde ficava o cinegrafista.. Os barcos da pauleira mesmo que transpunham as lagoas na varação e iam a pontos mais isolados eram outros ...
  • 30/11/2016

  • Fisgar
Christian Garcia
No meu instagran também tem mais algumas imagens, estou postando aos poucos. Christian_vet2
  • 30/11/2016

  • Fisgar
Ricardo Sanches
Show de lugar e de pescaria! Parabéns a todos pelas capturas.
  • 02/12/2016

  • Fisgar
Charles Luiz Molmerstet
Materia Fantastica... parabens!!!!
  • 11/12/2016

  • Fisgar
Alexandre
Show de Pescaria parabéns um sonho pra qualquer pescador 2 espécies de alta adrenalina
  • 11/12/2016

  • Fisgar
Caramelli
Simplesmente espetacular
  • 11/12/2016

  • Fisgar
Paulo Pita
Nossa que aventura maravilhosa. A natureza realmente nos proporciona momentos assim.
  • 15/12/2016

  • Fisgar
Octavio Amaral
Show Chris! Sucesso sempre
  • 30/12/2016

  • Fisgar
THIAGO SOARES FERREIRA
Top demais, ainda quero ir nesse lugar... o parceiro Boechat está de parabéns, Chistian e os demais pescadores também... Show!!
  • 10/01/2017

  • Fisgar
Cleverson Nunes
Ai sim
  • 10/01/2017

  • Fisgar
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